sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Luís Serrão Pimentel: Exposição na BNP

Exposição na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP): Luís Serrão Pimentel e a Ciência em Portugal no século XVII. Miguel Soromenho e eu fomos os Comissários; Lígia Martins, como habitualmente fez toda a coordenação técnica. Aliás, este projecto é mais dela do que meu ou do Miguel.

Luís Serrão Pimentel foi uma das figuras centrais da ciência portuguesa de meado do século XVII: matemático, engenheiro-mor, cosmógrafo-mor, bibliófilo, homem de cultura. O esquecimento a que a sua figura tem sido votada é típico do desinteresse e superficialidade com que os historiadores da cultura e da ciência têm tratado o século XVII em Portugal.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

História de Arte e História da Ciência

A propósito da sessão do “Journal Club” que fui convidado para apresentar na próxima sexta-feira, dia 28 de Fevereiro, (artigo a apresentar: Kathleen M. Crowther and Peter Barker, «Training the Intelligent Eye. Understanding Illustrations in early Modern astronomy Texts», Isis, 104 (2013) 429-470) estive a reler o famoso livro de Michael Baxandall, Painting and Experience in Fifteenth Century Italy. O livro tem tudo o que gosto: uma escrita límpida e cristalina, um argumento sofisticado. Porque uma coisa puxa outra, aproveitei também para reler partes de Svetlana Alpers, The Art of Describing: Dutch painting in the seventeenth century.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Como salvar as humanidades ?

Por sugestão da minha irmã, li este fim de semana, o La littérature en péril, de Tzetan Todorov (Paris: Flammarion, 2007). O colapso das humanidades é um dos fenómenos mais preocupantes da universidade moderna – e da sociedade em geral. O assunto interessa-me não só pela sua incidência no mundo académico – o meu mundo – mas porque me parece que por detrás desse fenómeno estão razões muito profundas que é necessário compreender. Todorov não é de maneira nenhuma o primeiro a olhar para este assunto: há mais de vinte anos Alan Bloom causava grande comoção com o The Closing of the American Mind (1987), livro que foi seguido pelo de Gertrude Himmelfarb, On Looking into the Abyss: Untimely Thoughts on Culture and Society (1994), o de Jacques Barzun, From Dawn to Decadence: 500 Years of Western Cultural Life, 1500 to the Present (2000), e, muito recentemente, por Martha Nussbaum, Not for profit: why democracy needs the humanities (2010).

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Salinger

Aproveitando uns voos de longa distância que tive de fazer nos últimos dias, li o recente Salinger, de David Shields e Shane Salerno (New York, etc.: Simon & Schuster, 2013). Baseado em mais de duzentas entrevistas com pessoas que conheceram J. D. Salinger, e com acesso a materiais até aqui inacessíveis, o livro foi lançado com grande aparato. Aliás, era acopmanhado (ou acompanhava?) de um documentário (The Private War of J. D. Salinger). O livro está montado com uma precisão de relojoaria, quase como uma filigrana de textos. Do ponto de vista formal, é um feito. Quanto ao mais, algumas revelações, algumas especulações, mas no fim, fica-se com a desagradável sensação de ser apenas voyeurismo de alto nível. J. D. Salinger mostra-se certamente um pouco mais humano, mas permanece quase tão inacessível e incompreensível como era antes.